O Tesamorelin é um análogo sintético do GHRH (Hormônio Liberador do Hormônio do Crescimento), desenvolvido para estimular a hipófise anterior a produzir e liberar GH de forma natural e pulsátil. Diferente da administração direta de GH, o Tesamorelin respeita os mecanismos de feedback do organismo — o que o torna uma das opções mais fisiológicas disponíveis.
Como ele estimula o GH
O eixo hipotálamo-hipófise funciona por pulsos: o hipotálamo libera GHRH, que sinaliza à hipófise para secretar GH. Com o envelhecimento, a produção de GHRH diminui, reduzindo progressivamente os níveis de GH e IGF-1.
O Tesamorelin atua exatamente nesse ponto — ele mimetiza o GHRH endógeno, restaurando a sinalização hipofisária e estimulando a liberação de GH de forma pulsátil, preservando o feedback negativo da Somatostatina. Isso significa que o organismo ainda regula a produção de GH, evitando o excesso.
Efeitos na composição corporal
O principal efeito estudado e documentado do Tesamorelin é a redução da gordura visceral, especialmente a gordura abdominal profunda (lipodistrofia visceral). Os estudos clínicos demonstraram:
- Redução média de 15 a 20% na gordura visceral em 26 semanas
- Melhora no perfil lipídico (redução de triglicerídeos)
- Aumento dos níveis de IGF-1
- Melhora na composição corporal geral com preservação de massa magra
Tesamorelin vs administração direta de GH
A principal vantagem do Tesamorelin sobre o GH exógeno está na fisiologia:
| Aspecto | Tesamorelin | GH exógeno | |---|---|---| | Mecanismo | Estimula liberação endógena | Substitui o GH | | Feedback | Preservado | Suprimido | | Risco de supressão | Baixo | Presente | | Perfil de liberação | Pulsátil (natural) | Contínuo |
Aplicação e protocolo
O Tesamorelin é administrado por via subcutânea, geralmente uma vez ao dia, preferencialmente à noite — momento em que ocorre o pico natural de GH durante o sono. A reconstituição é feita com água bacteriostática antes da aplicação.
Considerações importantes
O uso deve ser acompanhado por profissional de saúde com monitoramento dos níveis de IGF-1. Efeitos adversos possíveis incluem retenção hídrica leve, formigamento nas extremidades e, em casos de predisposição, impacto na sensibilidade à glicose.
